Antes
que alguém proponha a pena de morte para grevistas, convém lembrar que o
direito de cruzar os braços é uma garantia constitucional. Movimentos
paredistas causam estragos e eventualmente atingem pessoas que não têm nada a
ver com a história? É claro que sim. E é justamente isso que torna a greve uma
arma efetiva. A primeira paralisação de que se tem registro ocorreu por volta
de 1170 a.C., quando artesãos que trabalhavam na tumba de Ramsés 3º suspenderam
suas atividades exigindo melhores condições. Atônitos com a novidade, o faraó e
seus vizires cederam. Alguns Estados dos EUA, onde greves são vistas como coisa
de comunista, bem que tentaram proibir certas categorias de parar. O resultado
foi o surgimento de um novo tipo de paralisação batizada de
"sickout", em que os trabalhadores deixam de comparecer alegando
estar doentes.
Assim, em vez de criar regras que nunca são observadas, como oferta mínima de serviços, é melhor deixar aos trabalhadores a oportunidade de decidir se e como entram em greve. A contrapartida é que patrões devem ter meios de defender-se, como o direito de descontar dias parados, contratar substitutos ou recorrer a empresas prestadoras de serviço. Greves, por mais que incomodem, são subproduto de direitos fundamentais que não convém revogar.
Helio
Schwartsman, Folha de São Paulo, 26/05/2012
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