A política
econômica dos tirou do produtor nacional as condições de competição
Desde o
século 16 o comércio internacional vem crescendo. A partir do século 19, à
medida que a Inglaterra se industrializava, "criou-se" e, lentamente,
"consolidou-se" a ideia (vendida como "teoria científica")
de que a plena liberdade de comércio (não importando a história ou a geografia
dos países) era o regime que produzia o maior "bem-estar para todos".
As qualificações teóricas e empíricas a tal "teoria" nunca foram
levadas muito a sério pelo "mainstream", que continuou insistindo nas
"virtudes" do "conto de fadas". Os governos (de EUA,
França, Alemanha e outros países), ao contrário, mandaram-no às favas
intervindo, às claras ou às escondidas, no controle de suas importações e no
estímulo às suas exportações. Neste início do século 21, parece realizar-se,
pelo menos, uma das inúmeras "previsões" não cumpridas de Marx, de
que "o capital não pararia antes de ocupar o mundo".
Tais fatos justificam plenamente intervenções pontuais. A indústria de artefatos de vidro, por exemplo, tem uma capacidade ociosa da ordem de 20% que não pode aproveitar devido às importações desleais, subsidiadas pelo câmbio e pela taxa de juros e beneficiadas por menor carga tributária de nossos competidores. Uma proteção tarifária adequada claramente declinante, que imponha condicionalidades e que não impeça a importação, poderia permitir-lhe usá-la reduzindo os seus preços e mantendo-a no "estado da arte" em que está hoje.
É evidente que isso não recomenda qualquer aumento de tarifas sem uma análise cuidadosa de suas consequências sobre as cadeias produtivas e sem impor algumas condicionalidades. Nossos "livre-cambistas" criticam duramente o governo, mas não dizem uma palavra sobre o que fazer diante dos absurdos subsídios de exportação chineses e muito menos com relação à criação de novos, o "ajuste fino", que acaba de ser anunciado pelo premiê chinês, Wen Jiabao.
Antonio
Delfim Netto, Folha de São Paulo, 12/09/2012
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