Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de
Deus
A maioria
dos paulistanos rejeitaria, informa o Datafolha, candidatos a prefeito apoiados
seja pela Igreja Católica, seja pela Igreja Universal. Trata-se de uma típica
resposta de eleitorado evoluído, para o qual a religião tornou-se, e já faz
tempo, um assunto privado. Não foi sempre assim, obviamente. Desde que
nasceram, as religiões apresentaram vocação holística. Para melhor governar as
almas e a conduta do homem em relação ao divino, era providencial apoderar-se
das estruturas de repressão e persuasão que hoje conhecemos como Estado. Em
plena democracia ateniense antiga, Sócrates foi condenado à morte, acusado de
renegar o sistema de crenças vigente. Se a religião não era exatamente o poder,
ela oferecia um acervo de respostas e de pessoas posicionadas para exercê-lo.
Deixamos a era da religião estatal, o que não ocorreu no islã. Mas não atingimos, e talvez nunca atingiremos, a era da religião radical do indivíduo, em sua relação direta e particular com o divino. Talvez porque isso signifique, na prática, a morte da religião.
Ninicius
Mota, Folha de São Paulo, 01/10/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário