"Que dó da Chanel!", disse minha filha ao ouvir que o Monsieur Normal
(François Hollande, o socialista) ganhou as eleições presidenciais na França.
Só vai restar a Chanel fugir para Bélgica.Caras como ele parecem não entender que se você coloca limites para o retorno
financeiro de quem trabalha, a pessoa trabalha menos e fica preguiçosa. Ou foge
para onde não roubem seu dinheiro, fruto de anos de trabalho duro. Basta ver a
história. Estes caras deveriam ler a filósofa russa Ayn Rand e seu maravilhoso
"A Revolta de Atlas", da editora Sextante. Sociedades socialistas
cultivam a preguiça, a mediocridade e desestimulam a criatividade e coragem
profissional. Todo mundo vira funcionário público. Rand conheceu na pele o
ridículo do sistema socialista soviético, antes de fugir para os Estados
Unidos. Dirá o leitor que exagero. Sim, um pouco, mas em se tratando da esquerda
francesa, acostumada à vida mansa do Estado de bem-estar social, a França
produtiva deve ficar alerta.
Assim como a Argentina, que nunca saiu da pasmaceira peronista, a França nunca
saiu do delírio jacobino da Revolução Francesa. Os caras não crescem e
continuam a não entender que país é como sua casa, quando se gasta mais do que
se ganha, a conta não fecha no final do mês e você estoura sua conta no banco. Engraçado
como a França e outros países europeus ocidentais que não passaram por regimes
marxistas gostam de brincar de socialista. Brincam como se a catástrofe que foi
a experiência marxista no poder não tivesse acontecido.
Acusam muita gente
de não ter "consciência histórica", quando eles não têm nenhuma. A
começar pelos intelectuais de esquerda, esses mandarins da mentira. Vejam que
os países do leste europeu que foram comunistas não chegam nem perto da
baboseira da esquerda. Pergunte a uma tcheca ou russa se ela gostaria de voltar
ao comunismo. Mas, como a França ainda tem dinheiro para gastar, o dinossauro
francês ganhou a eleição. Se ele não criar juízo e ficar prometendo o que não
pode (como deixar os franceses se aposentarem com menos de 60 anos e com isso
piorar a pressão sobre a população mais jovem produtiva que paga a conta da
previdência social francesa), na próxima eleição, Marine Le Pen (do Front
National, partido de extrema-direita) leva, o que seria outra catástrofe. É
isso que ela espera, por isso recusou apoio ao Sarkozy.
Tanto a direita
radical quanto a esquerda são contra a sociedade de mercado e não entendem nada
de economia. Os da esquerda culpam os ricos, os da direita radical culpam os
estrangeiros, e nenhum dos dois sabe lidar com a complexidade de um mundo que
nada tem de perfeito e que é sempre fruto da velha natureza humana: mentirosa,
interesseira e preguiçosa, quando pode. Nada brota onde não há dinheiro. Até
minha llhasa apso, mais inteligente do que muita gente que conheço, sabe disso.
E por falar em Chanel (que para mim significa "mulher bonita"),
recentemente tivemos mais uma prova de que a natureza humana é atávica em suas
mazelas, sendo a inveja uma das piores.
Já disse várias
vezes nesta coluna que as mulheres bonitas são vítimas de perseguição por parte
das feias - a velha inveja da beleza. Em recente pesquisa sobre mercado de
trabalho, publicada no caderno "Mercado" desta Folha (13/5),
israelenses provaram que mulheres bonitas que colocam suas fotos no CV são
constantemente eliminadas, não tendo chance de chegar nem a uma primeira
entrevista. E por quê? O fato é que o RH é comumente dominado pelas
mulheres, e estas, aparentemente, temem que mulheres bonitas assumam cargos em
suas empresas.
Incrível, não?
Depois dizem que são os homens que atrapalham a vida profissional das mulheres
bonitas. A verdade parece ser o contrário: se aumenta o número de homens
envolvidos no processo decisório, a seleção pode deixar de ser injusta para as
mais bonitas. Já que estamos em época de cotas para minorias oprimidas,
proponho cotas para mulheres bonitas nas faculdades, nas empresas e no governo.
O mundo respira melhor quando tem mulher bonita por perto. Elas são o pulmão do
mundo.
Luiz Felipe ponde,
Folha de São Paulo, 21/05/2012
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