O
conservador seria assim um sujeito mais intuitivo e o liberal mais reflexivo
Muito
interessante o exercício do Datafolha de mensurar o conservadorismo/liberalismo
da população paulistana. O ligeiro excesso de pessoas com ideias mais à direita
(34% contra 27%) ajuda a explicar o fenômeno Russomanno, mas isso é só a ponta
do "iceberg". Desde que a ciência começou a investigar a orientação
política das pessoas, há cerca de 40 anos, tivemos algumas surpresas. Para
começar, o papel do DNA é maior do que se suspeitava. Um estudo de John Hibbing
de 2005 que envolveu mais de 8.000 pares de gêmeos nos EUA estimou que genes
respondiam por 53% da variação no perfil ideológico. Cuidado, não se deve imaginar
aqui que existe o gene do PT e o do PSDB. O efeito é bem mais indireto. Fatores
hereditários têm peso importante na formação da personalidade, que é
razoavelmente estável ao longo da vida e determinante para definir como nos
sentimos em relação a uma série de questões como igualdade, justiça,
autoridade, pureza -itens que constituem a base da identidade moral de cada
indivíduo.
O bacana aqui é que, como o voto é o resultado de interações complexas entre indivíduo e sociedade, por mais que avancemos no entendimento do cérebro ideológico e da política partidária, eleições, ainda que encerrem alto grau de previsibilidade, sempre nos reservarão surpresas.
Helio Schwartsman, Folha de São Paulo, 25/09/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário