Enquanto os ânimos serenam e as interpretações
começam a ser elaboradas, podemos já avaliar os números iniciais da eleição
municipal. Com a extraordinária rapidez que nossa Justiça Eleitoral adquiriu
nos últimos anos, estavam disponíveis logo após a votação. Os analistas
têm o hábito de considerar que as eleições locais são uma ante-sala das
presidenciais. Em função desse cacoete, olham os resultados como se fossem o
primeiro round da disputa pelo Palácio do Planalto em 2014. Trata-se de um
equívoco, como mostram as evidências. Desde a redemocratização, não houve
sequer uma eleição presidencial que tivesse sido “antecipada” pelo ocorrido na
disputa pelas prefeituras. O que acontece nela pode ter efeito na sucessão
dos governos de alguns estados, especialmente os menores e aqueles onde a
capital tem grande proeminência na estrutura urbana.
Jornalistas e comentaristas são livres, como qualquer cidadão, para ter opiniões e preferências políticas. É perfeitamente natural que gostem mais de um partido que de outro. Também são compreensíveis as implicâncias que têm com algumas lideranças. Costuma-se, no entanto, cobrar de todos o compromisso com a informação. Que evitem deixar que seus sentimentos os impeçam de fornecer a leitores e espectadores a notícia correta. Se houve um tema predominante na cobertura das eleições deste ano foi a “queda do PT”. Quase diariamente, saíam matérias ressaltando o mau desempenho que o partido teria em todo o país e, em particular, nas capitais.
Misturando análise apressada das pesquisas com muita torcida, a tese central era que o julgamento do “mensalão” prejudicaria os candidatos petistas e dos partidos da base do governo. Prenunciava-se, de acordo com essa suposição, um quadro de diminuição do PT e crescimento dos partidos de oposição. Para quem acreditou nisso, o resultado das eleições deve ter sido uma surpresa. Considerando os cinco partidos que mais venceram em 2008, o PT foi o único que aumentou o número de prefeituras ganhas. PMDB, PSDB, PP e DEM encolheram – os tucanos em seus principais redutos, São Paulo, Minas Gerais e Ceará.
Em queda semelhante à que aconteceu em 2010 nas eleições para o Legislativo, as três principais legendas oposicionistas – PSDB, DEM e PPS – diminuíram em 25% o total de prefeituras conquistadas, indo de 1418 para 1077 (sem considerar as cidades onde haverá segundo turno). Ou seja, e em sendo verdade que as eleições municipais são importantes na definição da próxima Câmara dos Deputados, um resultado preocupante. Faz sentido dizer que o PSB é a estrela em ascensão? Cresceu como o PT, indo de 314 para 435 prefeituras. A grande vitória no Recife compensou a inesperada derrota em Curitiba. Manteve Belo Horizonte. Disputa algumas capitais importantes no segundo turno. A eleição foi certamente positiva para o partido. Daí, no entanto, a imaginar que é o “grande vitorioso” vai uma vasta distância. Por estranho que pareça a algumas pessoas, o partido que mais cresceu em número de prefeitos e vereadores, que melhor performance teve nas cidades médias, que está mais bem posicionado nas capitais, é o PT. Pode-se gostar ou não disso. Mas é um fato.
Marcos Coimbra, Estado de Minas, 10/10/2012
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