A pesquisa Datafolha divulgada ontem adicionou novo grão de incerteza na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Já não se trata de prospectar, como há poucos dias, quem disputará o segundo turno com Celso Russomanno -pois agora nem a presença do candidato do PRB entre os dois primeiros pode mais ser dada como garantida.Num intervalo de duas semanas, Russomanno caiu de 35% para 25% das intenções de voto. Perdeu mais de um quarto de seus eleitores e deixou de ser líder isolado na disputa, posição confortável que ocupou durante mais de um mês. Segundo o Datafolha, José Serra (PSDB), com 23%, está em situação de empate técnico tanto em primeiro lugar, com Russomanno, quanto em segundo, com Fernando Haddad (PT), que tem 19%. O petista, nos últimos 15 dias, ganhou quatro pontos percentuais, enquanto o tucano avançou dois.
A constatação mais óbvia remete à grande surpresa da disputa. Como poucos analistas -para não dizer nenhum- foram capazes de prever o desempenho de Russomanno, as campanhas do PSDB, do PT e do PMDB demoraram para levar a sério o candidato do PRB. Quando o fizeram, passando a desferir ataques direta e incessantemente no horário político, Russomanno não resistiu. Ele não só perdeu dez pontos como viu sua rejeição disparar: um mês atrás, 12% dos eleitores diziam que não votariam nele de jeito nenhum; agora, esse grupo reúne 26%. Os 35% de intenção de voto que Russomanno chegou a alcançar não combinavam com um candidato sem experiência administrativa, de partido frágil. Embora não seja marinheiro de primeira viagem, pois foi deputado federal por quatro mandatos, o candidato do PRB foi inflado mais por sua celebridade midiática do que por seus feitos na política.
Propostas esdrúxulas, como tarifas de ônibus escalonadas segundo a distância percorrida (desvantajosas para os mais pobres, que também moram mais longe), e um programa de governo superficial são meros sintomas desse quadro. Ainda que por estímulo da propaganda negativa, as pesquisas mostram um Russomanno mais próximo de seu tamanho real.
Editorial Folha
de São Paulo, 04/10/2012
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