Não há anomalia no apoio de Paulo
Maluf ao PT em São Paulo; tampouco na adesão do PR, de Valdemar Costa Neto, ao
PSDB. Petistas e tucanos, que polarizam as principais disputas no país há 18
anos, absorveram as regras do jogo. A diretriz é maximizar a exposição na TV e
no rádio durante o horário eleitoral chamado de gratuito, mas regiamente pago
pelos contribuintes. Tudo o mais se coloca a serviço desse propósito. Lula
dispôs-se ao desgaste da pose com o "filhote da ditadura" -epíteto
cantado no inesquecível sotaque gaúcho de Brizola em debates de 1989. Como não
rasga dinheiro, o aiatolá petista calculou que até esse vexame é menor que o
bônus à frente. Isso ocorre porque, sob a conivência interessada de tucanos e
petistas, os partidos brasileiros continuam no cativeiro estatal. Agremiações
partidárias, que deveriam ser representantes da sociedade, estão protegidas por
um cipoal de regras e tutelas e afogadas em tanto financiamento público que
podem praticar promiscuidade política à vontade.
Como organizações da sociedade,
partidos deveriam financiar-se apenas na sociedade e ser autorizados a comprar,
dentro de limites, espaço para sua propaganda. Agremiações representativas e
organizadas não mais seriam induzidas a aliar-se com siglas irrelevantes.
Doutrina, programa e coerência com as bases ganhariam mais peso nas alianças.
Partidos sustentados pela sociedade prestam contas das opções eleitorais às suas bases. As siglas do Brasil, que mamam nas tetas do Estado, giram em torno do próprio eixo. Não devem satisfação a ninguém.
Partidos sustentados pela sociedade prestam contas das opções eleitorais às suas bases. As siglas do Brasil, que mamam nas tetas do Estado, giram em torno do próprio eixo. Não devem satisfação a ninguém.
Vinicius Mota, Folha de São
Paulo, 06/08/2012
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